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domingo, 1 de março de 2009

Por que tanta gente se ilude?

Depois de um longo período ausente (acho que desde a lamentável derrota do futebol no plebiscito - aliás, inspirado no Chávez, penso em fazer outro), volto a postar aqui.

Dos links indicados pelo Diego no post de quinta-feira, o que eu mais gostei foi o do "Homem Sincero", que em 9 de abril do ano passado (infelizmente aquele blog não tem links permanentes para cada postagem) falou sobre o amor romântico - enfim, a chamada paixão.

O texto dele é muito bom, mas provavelmente a melhor frase seja essa:
Um dos raros pontos em que os sábios concordam é exatamente na paixão: se você conseguir se livrar dela, se você for forte e perseverante o suficiente para dominá-la, você vai ser um cara feliz.
E isso vale não só para os homens. Vejo mulheres que também caem na asneira de se apaixonarem perdidamente. (Um parênteses: muitos devem pensar que usar "também" seria no caso inverso, de uma mulher falando sobre as paixões femininas e que os homens "também" se apaixonam. Mas não adianta discutir, pois quem está certo sou eu: os homens podem não ganhar em "quantidade" de paixão, mas certamente são vencedores em "intensidade". Pois, como um monte de posts aqui escritos no ano passado provariam - se não tivessem sido apagados -, não existe nada mais insuportável do que um homem apaixonado.)

A paixão é a pior coisa que pode existir. Já li em um site que infelizmente perdi o link, que a paixão "é pior que o Bush". Digo mais: a paixão é pior que Bush, Mussolini e Hitler juntos! Ela é pior que a Veja. É pior que a Yeda. É pior que seu time perder uma final.

Ela nos ilude profundamente. Faz com que ajamos de forma irracional - e isso se dá em qualquer campo social. Tem gente que tem tanto medo do MST (o medo não deixa de ser uma espécie de paixão, aliás, ela ativa ainda mais o medo que sentimos: de perdermos o que conquistamos, de não sermos bem-vistos por pessoas que desejamos agradar, de sermos rejeitados etc.) que vibra com a decisão fascista de se fechar as escolas itinerantes - se as crianças ficarem sem aulas, azar é delas, quem mandou nascerem filhas de baderneiros? Em um e-mail enviado à Zero Hora, um leitor chegou ao cúmulo de defender o extermínio (sic) do MST.

A minha primeira paixão, a que mais me deixou insuportável, está com um cara que já a traiu, a fez sofrer. (Não que eu defenda "cerca de arame farpado", mas acho que confiança é fundamental.). Chegaram a terminar, voltaram, e ela continua lá, fazendo juras de amor ao cara. Ao mesmo tempo que torço para ela quebrar a cara de uma vez e se tocar, sinto pena dela.

E diferentemente das mulheres, eu ficaria com ela "por pena", pois ela é uma beleza... Mas paixão, nem pensar. Como diz o autor de "O Homem Sincero",
Uma paixão está rondando você? Chute.

2 comentários:

Rodrigo Cardia disse...

Aliás, acho que poderíamos ter uma espécie de "mandamentos dos Vagabundos". Nada repressivo, apenas alguns princípios com os quais nós três concordemos.

Rodrigo Cardia disse...

E proponho que o primeiro seja "Jamais se apaixonar perdidamente".