Páginas

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pelo surgimento de "Vagabundas Iluminadas"

Semana passada postei (atrasado) aqui um texto que não era meu. Tratava-se de uma ótima crônica de Juremir Machado da Silva, publicada em 2003. O Diego deixou um comentário sugerindo que o debate prosseguisse. Pois bem, ele prosseguirá.

Nós, Vagabundos Iluminados, temos orgulho de nossa vagabundagem. Não damos à palavra "vagabundo" a carga negativa que lhe é atribuída pelos moralistas - aliás, considero esse tipo de gente o que de pior existe na sociedade.

Agora, e se surgissem "Vagabundas Iluminadas"? Sim, um grupo de mulheres, que seguisse a mesma filosofia e resolvesse adotar a mesma denominação que nós, só que no feminino. Seriam bem-vistas? Sofreriam preconceito até mesmo por quem defende a vagabundagem?

Pois isso revela o quão forte é a dominação masculina na sociedade. Afinal, "vagabunda" não é o feminino de "vagabundo". A mulher que tem rótulo de "vagabunda" é a que sai com vários homens - só que o cara que faz o mesmo com várias mulheres não é visto negativamente, é "garanhão" ou "matador".

Por isso, cabe a nós, Vagabundos Iluminados, fazermos a nossa parte, não chamando de "vagabunda" a mulher que "pula de galho em galho". Em primeiro lugar, para que uma Vagabunda Iluminada não sinta vergonha de se assumir como tal. Em segundo lugar, porque se a mulher quiser, pode sair com quantos caras quiser, isso não é da nossa conta - e colocar rótulo nas pessoas por causa de costumes é coisa de moralista. E em terceiro lugar, porque o uso errado do termo "vagabunda" reforça ainda mais a posição dos malditos moralistas.

Ainda mais que vagabundagem, como bem sabemos, não é ir pra "balada" (êta palavrinha asquerosa!) beijar trinta numa noite e não saber o nome de nenhuma - até porque naquele ambiente totalmente insalubre, é impossível conversar com alguém sem ser GRITANDO. O Juremir disse na crônica que "estamos mais livres, e também mais volúveis", e eu acho que essa é uma falsa liberdade. Afinal, são trinta pessoas pelas quais não se tem nada de afinidade, "pega-se" apenas para mostrar aos outros, caso contrário o que "pega" é o rótulo de "perdedor" - para o qual o vagabundo de verdade não dá a mínima.

Um exemplo de verdadeira vagabundagem é passar boa parte da noite - se não toda ela - tomando cerveja, de bar em bar. Chegar em casa, esquecer que é madrugada de sexta-feira e ligar pro amigo que acredita na balela de que "o trabalho dignifica o homem" (acreditou no papinho dos moralistas, então é bem-feito!). E terminar ouvindo Wander Wildner.

Como aconteceu naquele histórico 11 de janeiro de 2008.

----------

Mas, só pra variar, não sei por onde andava o Volmir, que não vagabundeou conosco.

Nenhum comentário: