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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Eu comprei a Playboy da Fernanda Young!

imagem: playboy.com.br


Sim, eu sei: basta uma pequena busca na internet para que eu tenha acesso a todas as fotos da revista, para que eu sacie minha curiosidade de ver a escritora nua, mesmo sob todos os enormes retoques que as fotos devem ter sofrido – sabido e óbvio que é o fato da musa não ter as formas e músculos em sua perfeita ordem.

Mas considero a compra da Playboy da Fernanda Young um ato político! Comprei porque quero que a Playboy ganhe dinheiro com ela, que a Fernanda ganhe dinheiro, que receba outros convites da revista, de outras revistas, da Brasileirinhas, que vire top of mind dos punheteiros! Como a que a própria Fernanda se propõe, que um pouco de inteligência, pelo menos, já seja suficiente razão para uma masturbação, e que essas mulheres bundudas, frutas e legumes, ocas e burras pra caralho finalmente saiam do imaginário masculino e dos sonhos de (auto-)consumo das mulheres!

Fernanda Young afirmou que busca, com sua pose para a revista, "salvar o erotismo da burrice e do mau gosto". Concordo: não lembro da última vez em que eu havia comprado uma Playboy - certamente deve ter sido na minha adolescência, de alguma das dançarinas (sic) de axé que iniciaram a sexualidade da minha geração. Não consigo entender como alguém com o primeiro grau completo consegue se excitar com a tal “mulher melancia”, por exemplo, ou outra daquelas com as quais, no passado, eu descabelava o palhaço. Com catorze anos, tocar uma bronha para a Carla Perez e sucessoras é uma coisa... Mas hoje, dez anos e alguns livrinhos depois? Por favor...

Claro que nem tudo são flores ainda. Não nos iludamos. Não é uma pequena ousadia da versão brasileira da mais tradicional revista de nudismo feminino que transformará todo um esteriótipo de beleza formado, principalmente, ao longo dos últimos quinze anos. Mas é um passo, uma jornada que se fortalece com elogios à iniciativa como faço agora, ou, mais ainda, como fiz, com a compra da revista. Há de chegar o dia em que ficaremos de pau duro lendo Agatha Christie, conhecendo a vida de Madame Curie, ouvindo Danuza Leão falar de vinhos em Paris, ou simplesmente observando uma das tantas Mulheres de Verdade que ainda nos cercam esperando um ônibus, pensativas, com seus cachecóis enrolados no cangote.

2 comentários:

Ana R. disse...

Tá certo, mano, não tenho mais nada para fazer. Na verdade tenho, mas não estou com vontade. Então, vim ler teu post. Original, devo dizer. Porém, se desejas realmente "salvar o erotismo da burrice e do mal gosto" NUNCA compre uma Playboy! Independente de quem esteja na capa!
Também acredito que ainda haverá um dia "em que ficaremos de pau duro lendo Agatha Christie, conhecendo a vida de Madame Curie, ouvindo Danuza Leão falar de vinhos em Paris (...)", porém, não serão homens! Mas sim, lésbicas.

Anônimo disse...

Ah pára... Essa mulher é uma charlatanice só! Ao invés de contrapor o esteriótipo sexual de nossos dias, ela faz o contrário. Reafirma o esteriótipo com suas formas redesenhadas em computador. Relega uma pretensa intelectualidade de escritora (que eu duvido que exista) à qualidade de objeto "alternativo" aos vorazes cegos de plantão.

Ela fez isso por dinheiro. E, pra não pagar o pato por tamanha degradação, tenta fazer pose de mulher diferente, de mulher melhor ou superior. Ao posar para a Playboy ela desceu ao nível de Carla Peres sim.

Só no Brasil mesmo pra mulher metida a intelectual querer posar pelada numa revista. Depois fazem piada do povo brasileiro no exterior e nos sentimos os maiores injustiçados do planeta.

A verdade é que o nosso país existe pra jogar futebol, fazer comédia e mostrar a bunda da mulherada. Não existe para pensar, longe disso.