sábado, 16 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Ode a Wander Wildner 2
Rodrigo e eu, às 4h da manhã, voltando da noite porto-alegrense...
Procuramos uma música que nos definisse, e encontramos, é claro, Wander Wildner novamente (como Vagabundos Iluminados)!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
O Legado de Madonna*
Na aula de espanhol de hoje, novamente causei polêmica. Tudo começou assim: a professora, dizendo que visava incentivar a treino da conversação, mas conscientes que estávamos de que se tratava unicamente de uma forma de improvisar a aula mal preparada, colocou questões de respostas difíceis a fim de que pudéssemos discuti-las. Nessa vez, a pergunta foi quem nos gostaria ser, se não fossemos nós mesmos. Praxe, mas deu certo. Todos falaram um pouco, inclusive eu. Comecei dizendo que escutei certa vez, de um professor de História, que a melhor época da humanidade foram os anos 60 (pílula anticoncepcional, revolução sexual, anarquismo na França, Woodstock, movimento hippie etc), e que, portanto, gostaria muito ter sido alguém naqueles tempos.
O problema foi quando tentei trazer o exemplo a períodos mais contemporâneos. Disse, na lata, que se pudesse ser alguém, seria (uma versão masculina, esclareci) a Madonna! Isso mesmo, a Madonna! Todos acharam engraçado, afirmando que ter o dinheiro dela realmente deveria ser algo muito agradável. Mas não permiti esse erro de interpretação da parte deles, e respondi que gostaria de ser a Madonna não pelo que ela tem, mas pelo que ela representa. O assunto foi ficando sério...
Antes de soltar minha teoria fatal e chocante - tudo isso com a modéstia que me caracteriza, é claro – ainda lhes recomendei calma, dizendo que costumava ofender algumas mulheres com o que pronunciaria a seguir. “Ofenda-nos”, respondeu a professora, nessas mesmas palavras. Daí, soltei: Madonna, para mim, é o estereotipo da mulher moderna, e todas, simplesmente todas, gostariam de sê-la!
Os risos voltaram. A primeira pergunta que fizeram, e para qual já tenho resposta pronta, porque é sempre a mesma, é se eu teria a Madonna como minha mulher. Ora, respondi, provavelmente não. As pessoas acham que é fácil ser marido da Madonna. Respondi que ainda sou demasiado primitivo para viver ao lado de uma mulher como ela, que meu machismo tosco não permitiria. Completei, todavia, que se tratava de um problema meu, e não dela.
Passaram a conversa adiante. Ninguém me deu bola. Somente no fim da aula um dos meus colegas veio falar comigo, dizendo que pensava o mesmo acerca do assunto. Acho que ele entendeu deveras a idéia. Àqueles que não tiveram a mesma habilidade mental que ele, explico-me.
A Madonna é tudo aquilo pelo qual os movimentos feministas lutam: independente, rica, inteligente, fala o que pensa e faz o que quer. Sexualmente, então, nem se fala: ela escolhe com quem quer trepar, trepa e ponto final, sem satisfações a ninguém! Mulher moderna de verdade! E dita moda, claro. Agora, resolveu que voltaríamos aos anos 70 e 80, e voltamos. Se a Madonna disse, está mais que dito, está feito, estejamos nós de acordo ou não.
A gente percebe o machismo das próprias mulheres quando conversamos com elas sobre esse tema. Pergunta, leitor, à tua mãe, irmã, namorada ou esposa, alguma amiga, o que ela acha da Madonna. Se ela responder que a acha uma depravada que não deu nenhuma contribuição à humanidade, essa mulher a quem perguntaste é uma machista, conservadora, eleitora dos Democratas e que merece ficar na cozinha pilotando fogão a vida inteira.
Ora, a Madonna tinha que ser a maior heroína das mulheres do século XXI, ou existe símbolo maior dos avanços feministas no mundo do que ela? A Madonna é uma das mulheres que mais influência exerce sobre os hábitos atuais que temos acerca dos gêneros e da sexualidade. A mulher moderna tenta fazer aquilo que a Madonna já fazia nos anos 80, enquanto desfilava em seu vestido de noiva em Like a Virgin sedutoramente; Erotica é chocante até hoje aos mais, digamos tímidos; Material Girl é a afirmação da mulher perante o capitalismo; e quem nunca teve um frio na espinha vendo o clipe de Like a Prayer, quando nossa musa beija o pé da imagem sacra?
Não sei por que há gente que acha isso feio. A Madonna é uma revolucionária, que alterou hábitos do mundo inteiro com sua postura e que permitiu às mulheres a quebra de muitos tabus. Até hoje ela choca: em sua última turnê, iniciada no ano passado e ainda não encerrada, seu show na Alemanha, um país bastante moderno intelectualmente, foi censurado. Imagino o que teria ocorrido se ela realmente tivesse vindo ao Brasil, onde não sei quem é mais conservador, se a esquerda ou a direita.
Enfim, é a minha teoria. Nas aulas de espanhol, onde costumo expô-la, tende a gerar um certo mal-estar entre as mulheres. São todas machistas! Feminista sou eu, que quero que a mulher moderna - independente, rica e inteligente – saia dando por aí.
Like a virgin.
*Crônica originalmente postada em Pensamentos do Mal.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
O Suicida
Eu vinha rápido, em passos largos, como gente séria. Ao passar pelo senhor, este se virou e disse algo que não entendi bem. Ele, então, compreensivamente, se repetiu:
- Se eu me atirar daqui, será que eu morro?
Fiquei na fronteira entre o real e todo o resto, mas me adaptei ao meio, e lhe respondi:
- Provavelmente, senhor, mas acho que não deveria fazer isso.
- Eu vou tentar.
- Não faça isso, senhor. Para quê?
- Eu sou corno. Corno merece morrer.
- Capaz! Não vale a pena.
Ele só deu um singelo sorriso, e saiu.
Não consegui reparar, nem entender até agora, se foi aquilo um chiste ou uma pretensão real daquele senhor. Eu fiz minha parte. Mas lembro de ter sentido, na hora, muita pressa e vontade de sair dali.
Rápido. Como gente séria.
domingo, 9 de dezembro de 2007
O Preço da Amizade
Vagabundos são iguais, e o que acontece com um, acontece com todos – mais cedo ou mais tarde.
Nessa vez, foi comigo. Outrora, será com outro.
Descobri que não posso me relacionar com a mulher que amo. A explicação dela é que somos amigos (e nada mais). A cativei durante tanto tempo, tentei ser diferente, ser companheiro, ser amável, e de repente descubro que exatamente isso me afastou de seus braços.
Estou pagando o preço de ter tentado ser amigo de uma mulher e, sinceramente, não sei se valeu a pena...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
As Estradas
Estradas são como artérias que conduzem sangue a diferentes órgãos, que os abastecem de oxigênio, que explicitam a dependência entre eles. Estradas nos fazem ver a nossa pequenez enquanto homens e a nossa força enquanto espécie – maiores, talvez, que a nossa própria capacidade de aceitá-las. Nos unem, nos integram, e mostram também a imensa solidão em que vivemos, todos interligados e todos tão distantes, através de estradas que construímos, mas que somos incapazes de percorrê-las por completo.
Às vezes, estradas nos levam somente a horizontes, a lugares que não vemos. Prosseguimos somente na fé de que chegaremos lá, no outro lado. E nem sempre elas nos oferecem escolhas, pois não passam de longas retas de duas pistas: ou seguimos em frente, ou voltamos. Ao lado, paisagens intransigentes que se alteram devagar, escorrendo por entre os dedos sem que possamos gravá-las em nossas memórias.
Então, ficamos entre permanecer no mesmo lugar ou ir a outro. E é quando decidimos conhecer o mundo que passamos a nos sentir deveras sós. Porque embora haja muitos lugares, a quantidade de estradas é infinitamente maior. E é quando sentimos que, apesar dos nossos esforços, não chegamos a lugar algum, que percebemos que as estradas se tornaram, enfim, nosso verdadeiro lar.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
NÃO VAMOS MUDAR O MUNDO
É mais uma segunda-feira. E toda segunda, pra mim, sempre foi uma nova chance de recomeçar. Ilusão fabricada? Embora a oportunidade, dormi até mais tarde, não fui à faculdade. Aos poucos seres que gerei uma expectativa, a frustração crescente. Não sou um pilar sólido da sociedade.
Depois de dormir até mais tarde, vi televisão: programas do Tio Sam, velocidade. Lá talvez seja melhor, na justa distribuição do consumo.
Esta manhã de segunda está começando a me convencer que não vamos mudar o mundo. Apesar de mais um final de semana inspirado no Woodstock, de terrível ressaca no domingo, mesmo assim não vamos mudar o mundo. Apesar da intenção de fazer uma banda de Rock N’ Roll, não vamos mudar o mundo. Apesar das palavras certeiras contra a burocracia dos sentimentos, não vamos mudar o mundo. Apesar dos poemas para as amadas, não vamos mudar o mundo. Apesar desse medíocre relato, não vamos mudar o mundo.
Tenho que repetir mil vezes: “não vamos mudar o mundo”. Está passando do tempo de começar a viver. Com vinte e dois anos de vida não podemos nos dar ao luxo de sermos ainda adolescentes.
Volmir M. G.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Rotinas Urbanas
Nesse meio tempo, gostava de ler. Abria um de seus muitos livros com uma mão, segurando a xícara com a outra, e gastava a manhã inteira para ler nunca mais que cinco páginas, entre goladas e caminhadas pensativas pela casa. Quando se esgotava o tempo, fechava o livro e o guardava. Na manhã seguinte, seria outro. Nunca os lia completamente, embora freqüentemente os repetisse, reiniciando, porém, de novo da primeira página.
A hora do almoço era solitária. Não que as outras não fossem, mas era quando mais as percebia assim. A refeição era simples: porções de arroz e feição requentadas, alguma carne, de vez em quando massa sem molho. Gostava de cozinhar algumas coisas, e até achava que cozinhava bem, mas tinha preguiça de o fazer somente para si. Cozinhava pouco para ter pouca louça para lavar. Comia segurando o prato sob o queixo, às vezes escutando algum programa esportivo, ou de humor, no rádio.
Enquanto isso, o sol subia até o ponto mais alto do céu. As tardes eram os piores momentos dos dias, ansiosas e calorentas. Sua mente fervia. Pensava em mudar radicalmente sua vida, tomar alguma atitude, fazer alguma coisa, mas aquele sol batendo sobre os móveis e o ritmo maluco que observava pela janela sugavam suas iniciativas. Algumas coisas eram tão rotineiras quanto essas sensações: por exemplo, havia sempre alguma reforma, algum martelar, algum barulho de furadeira, na casa de algum vizinho. Todas as tardes, a tarde inteira, agonizantemente. Não conseguia tranqüilizar-se para continuar a leitura iniciada na manhã, e, então, ficava revezando entre o rádio e a TV, não prestando atenção nem num, nem noutro, também aos goles, mas, nessa vez, de um guaraná já sem gás há semanas.
Até que a noite finalmente chegava, aos poucos, e era quando percebia que o dia havia passado. Olhava a geladeira para ver se havia alguma coisa para comer na janta, torcendo para que não houvesse, para que precisasse ir até o mercado comprar pão, queijo e presunto, mas geralmente havia. Torcia, então, para que algum amigo lhe telefonasse o convidando para uma cerveja, embora soubesse que não deveria fazer isso numa terça-feira, ou quarta, ou quinta, embora também soubesse que, sinceramente, isso não lhe fazia a menor diferença. Mas nada disso acontecia, e então jantava algum sanduíche, novamente com um prato sob o queixo, e novamente ao som do rádio, nessa vez escutando a um programa de canções melosas que lhe faziam lembrar os pequenos namoricos do tempo de colégio, compartilhadas com outros ouvintes que ligavam para a rádio as pedindo. Somente depois, já de madrugada, ia banhar-se e preparar-se para dormir.
Apagava as luzes consternado, cansado, mas ainda sem sono, torcendo, agora, para que o dia não amanhecesse chovendo. Quando amanhecia chovendo, tinha que esperar o café passar em casa, olhando para a cafeteira.