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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Como cagar na casa da namorada?

imagem: atoouefeito.com.br

Como cagar na casa de sua namorada sem comprometer o relacionamento? Como se comportar naquele momento em que você está com o charuto no beiço, na casa da sua namorada? Aí vai mais um guia de utilidade pública:

1 – Não cague
Ok. O guia parte do pressuposto que você vai cagar na casa dela. Mas, antes de cagar, avalie a possibilidade de não fazê-lo. Quando sentir a pontada, raciocine. "Posso segurar? É desesperador?" Nessa hora, é fundamental saber se essa segurada não se transformará em uma fábrica de flatulências. Se isso ocorrer, opte por cagar.

2 – Não cague em banheiro muito freqüentado
Se você tem de cagar, escolha aquele lavabo que fica na sala onde ninguém visita. Ou vá ao banheiro da empregada (isso, claro, se a empregada não estiver presente). Ou vá à suíte do quarto de hóspedes. Algo do tipo. Evite a todo custo o banheiro do corredor ou aquele ao lado da sala de televisão. É caixão. Você vai lá, todo feliz, despeja seus detritos no vaso, lava as mãos e, quando sai, vê sua sogra indo direto no banheiro para lavar a mão antes do almoço! Ou o sogro! Ninguém merece. Um dos momentos mais constrangedores da vida de um homem. Só perde para aquela vez que sua mãe entrou no banheiro e flagrou você se masturbando.

3 – O trono
Examine a privada da casa da sua namorada. Antes de cagar, dê descarga para ver se ela está funcionando. Nunca, em hipótese alguma, inicie os trabalhos sem dar descarga e testar a potência dela. Caso contrário, se a privada estiver entupida, você terá três caminhos a seguir, todos desgraçadamente ruins:
1) Deixar a bosta boiando ali e correr o risco do seu sogro entrar em seguida e, para todo o e sempre, considerá-lo um sujeito decrepto por deixar o mandela a boiar;
2) Tentar dar descarga, a água transbordar e você ficar ali, vendo a água da privada inundar o banheiro com resquícios de suas fezes. Um caos completo, com direito a deixar a mãe dela limpando aquela bosta toda;
3) Ser obrigado a pegar um saco plástico, enfiar a bosta dentro e sair – com o saco plástico pingando água da privada no chão – até conseguir chegar ao banheiro mais próximo. Em resume: teste a merda da privada.

4 – O fedor
Tenha cuidado com o mau cheiro. Alguns machos são mestres em cagadas fedorentíssimas. Use a inteligência. Ao despejar a merda no vaso, dê descarga imediatamente. O raciocínio é simples: quanto mais ela ficar boiando por ali, mais cheiro ruim vai exalar. O ideal seria cagar com a descarga funcionando, mas molha a bunda. Quando estiver no trono, olhe em volta. Abra os armários e as gavetas. Se achar um perfume, dê umas borrifadas no vaso e no banheiro antes de sair do recinto. É uma boa forma de matar as moléculas de merda que estão voando pelo ar. Se tiver "Bom Ar", não exagere. Você não vai querer sair do banheiro cheirando bom ar. Ah, e sempre, sempre, sempre feche a porta.

5 – O papel
Nunca, mas nunca mesmo, comece os trabalhos sem verificar se há papel higiênico no recinto. Toda a sua estratégia escorre pela privada se você tiver de abrir a porta e gritar: "Amoooooooor! Acabou o papel!". Ninguém merece!

6 – Thanks for sharing
Os americanos têm uma expressão de fabulosa ironia que é o "thanks for sharing". Usa-se essa expressão toda vez que alguém lhe conta algo que você realmente não precisava saber. Isso serve para quando o homem termina de cagar na casa da namorada. Você, idiota, não precisa contar pra ela. Você não está entre amigos, onde você sai do banheiro e diz "tô até mais leve" ou "nossa, essa cagada foi masculina". Ela não precisa saber. Aliás, ninguém precisa saber. Contenha sua vocação pra idiota e silencie sobre o que você fez no banheiro.

(autor desconhecido)

domingo, 27 de setembro de 2009

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Manual Masculino

Queridas Fêmeas;


“Peitos e bundas existem para serem olhados, e é por isso que olhamos. Não tentem mudar isso.

Aprendam a manejar o assento da privada. Vocês já são bastante crescidinhas pra isso. Vocês são grandes garotas. Se ele está levantado, abaixem-no. Nós precisamos dele levantado, vocês precisam dele abaixado. Vocês não nos ouvem reclamar quando vocês deixam o assento abaixado.

Sábado = futebol. É como a lua cheia ou a mudança das marés. Não se muda isto.

Fazer compras não é um esporte. E não adianta, nós nunca vamos pensar de outro jeito.

Choro é chantagem.

Peçam o que vocês querem. Vamos deixar isso bem claro:
- Dicas sutis não funcionam!
- Dicas grosseiras não funcionam!
- Dicas óbvias não funcionam!
- Apenas peçam o que querem!

Apenas ‘Sim‘ ou ‘Não‘ são respostas perfeitamente aceitáveis para a maioria das perguntas.

Tragam-nos um problema se querem ajuda para solucioná-lo. É o que nós fazemos. Para solidariedade existem as amigas.

Dor de cabeça que já dura mais de 17 meses é um problema. Consultem seu médico!

Tudo aquilo que nós dissemos há seis meses não será admitido como argumento. Aliás, todos nossos comentários se tornam nulos e sem efeito após sete dias.

Se vocês acham que estão gordas, provavelmente estão mesmo. Não perguntem isso pra nós.

Se algo que dissemos pode ser interpretado de duas formas, e uma delas deixa vocês tristes ou magoadas, entendam: nós falamos com o significado da outra forma.

Vocês podem escolher: ou nos peçam algo, ou nos digam como deve ser feito. Nunca as duas coisas. Se vocês já sabem qual é o melhor jeito de fazê-lo, simplesmente façam!

Sempre que possível, por favor, digam o que precisam dizer durante os comerciais.

Pedro Álvares Cabral não precisou de orientações. Nós também não precisamos.

Todos os homens enxergam em 16 cores, como o padrão do Windows. Pêssego, por exemplo, é uma fruta e não uma cor. Abóbora também pertence ao reino vegetal. Nós não temos idéia do que é fúcsia.

Se algo pinica, será coçado. Nós fazemos isso.

Se perguntarmos o que está errado, e vocês responderem “nada“, nós vamos agir como se nada estivesse errado. Nós sabemos que é mentira, mas não vale a pena discutir por isso.

Se vocês fazem uma pergunta e não querem ouvir a resposta, estejam preparadas para ouvir o que não querem.

Quando temos que ir a algum lugar, qualquer coisa que estejam vestindo estará ok. É sério!

Não nos perguntem o que estamos pensando, a menos que estejam prontas para discutir assuntos como: Sexo, Futebol e Carros.

Vocês têm roupas suficientes.

Vocês têm sapatos demais.

Eu estou em forma! Redondo é uma forma.”

(Autor desconhecido)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Lady Gaga

Encorajado pelo Blog de Meninas:

domingo, 13 de setembro de 2009

Cinema: "Disctrict 9"

Há tempos eu não via um filme de ficção científica tão bom. Trata-se de "District 9", lançado nos cinemas recentemente.

Longe da vala comum dos filmes do gênero, surpreende. Não trata de monstros intimidadores a desafiar o mocinho e a mocinha, nem de longas viagens interestelares atrás de mundos imaginários. 'District 9' trata de problemas reais, apesar de partir de uma ideia meio maluca. Em Joanesburgo, há 20 anos, uma nave de outro mundo teve uma pane e ficou pairando no ar sobre a cidade. Os tripulantes dessa nave, cerca de 1 milhão de alienígenas, são alocados no subúrbio da cidade africana. Por duas décadas humanos e alienígenas passam a coexistir.

Diante dessa realidade, conflitos raciais e sociais tomam forma. Os alienígenas são tratados como sub-espécie, ao mesmo tempo que animalescamente tentam se incorporar aos nossos costumes. Uma inteligente trama é montada a partir de então, apontando a intransigência e o preconceito presentes no ser humano. Um filme que metaforicamente trata de problemas reais no nosso tempo.

Confira o trailer:

Algum Lugar

Nem eu mesmo sei onde estou.
Caí na calçada.
Procurava não sei o que,
mas procurava...

Estou aqui ouvindo um blues novamente.
Esta parada sempre me foi aprazível,
especialmente nas noites de isolamento
em que não me distinguia do trem.
Éramos dois cargueiros solitários
a perambular pelo planeta
em busca de um único recanto de conhecimento.
Sempre o destino era silêncio
ou barulhos sem sincronia.

Pouco,
muito pouco,
se aproveitou daqueles breves momentos.
Momentos que perdi
rapidamente
ao amanhecer.
Estive só
quando todos cantavam a canção saudável.

Como um tolo segui...
Fui indiferente a apelos.
Ninguém deveria respondê-los:
descasos da solidão.

Não procuro o fim.
Permaneço no mergulho sorrateiro.
O que eu deixei de ser não importa,
nem mesmo as mulheres que deixei de beijar.
O amor é uno e indivisível!

Importa somente o que está atrás da porta.
Pediu-me para entrar,

e já não sei a diferença
de expectativa
e angústia.


(Discípulo Corujão)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Quando escrevo...

imagem: petitsecrets.blogspot.com


Sempre fui daqueles que esperei o sol descer para matraquear os dedos sobre o teclado. Bastava o sol vir laranja sobre os móveis da minha sala para que minhas inspirações chegassem, a fumaça dos meus cigarros se misturassem aos aromas dos cafés que esfriavam a meu lado, e toda minha mente fervilhasse na liberdade de simplesmente pensar.

Sento-me diante da tela luminosa, com o fulgor de um adolescente diante da primeira mulher nua diante de seus olhos. É a mesma sensação de sempre: os olhos a vagar pelo ambiente que se escurece, as fumaças todas ali, as antigas namoradas... Tudo à frente, a bater nos meus pensamentos da mesma forma que bato em cada tecla que se fulgura na minha mente.

E as idéias vêm e vão às tragadas, a goles de café frio, a pensamentos que não sei mais se são lembranças ou invenções da minha cabeça. E elas vão à tela, se formam e criam formas, outras, e outras tantas. Viram histórias, ou materializam-se simplesmente, numa tentativa de tecer em argumentos e conexões lógicas o que talvez nem eu saiba ao certo que é.

Pois tudo, dos poemas às filosofias, são sentimentos meus que, mais que os que os lêem, desconheço. Não sei de que forma produzo idéias tão deslineares, à mercê de toda a lógica que venero, que vulgarizo em meus diálogos ou noutros textos, com outras finalidades. Nem sei ao certo que papel a formulação de linhas assim tem na minha vida - se é que tem alguma função a não ser aliviar minhas infantilidades e dramas sem importância.

Só sei que preciso estar aqui, diante dessa tela, no meio da fumaça e com o café a me agredir cada vez mais. E com a sensação, ultimamente, de que as linhas têm se tornado mais difíceis, e que as páginas não têm se completado, como se eu não tivesse mais muito a dizer, apesar dessa perturbação toda.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

4 de setembro

A breve história dos Vagabundos já registra alguns episódios memoráveis, como os acontecidos em 11 de janeiro de 2008 e 27 de janeiro de 2009. Porém, assim como acontece com os Estados-nação, há fatos anteriores à sua formação que também são importantes. E no nosso caso, trata-se do ocorrido em 4 de setembro de 2005. É, embora o blog só tenha surgido em 2007, a Vagabundagem Iluminada como filosofia é mais antiga.

Nesse dia, conforme já lembrei no post Celeste Olímpica, me reuni com o Diego para tomar cerveja na República do Pastel. (Daí o título da postagem citada, a pastelaria estava lotada de uruguaios - inclusive o dono - que torciam pela seleção do país em um jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.)

Só que foi mais do que cerveja com pastel. Eu me encontrava em (mais) uma daquelas situações tradicionalmente chamadas de "fossa", causadas por uma desilusão amorosa. Assim, as garrafas de ouro líquido que Diego e eu consumimos naquele início de noite foram acompanhadas não por conversas sobre futebol (e num bar lotado por causa do esporte bretão!), e sim, sobre foras que levamos de mulheres.

Ora, só o fato de tomarmos cerveja, falando de mulher, e sem futebol, já configura de certa forma uma Vagabundagem Iluminada - e obviamente não era a primeira vez que falávamos de mulher ao invés de futebol ou política. Mas aquele 4 de setembro de 2005 teve mais: o Diego propôs criar uma "sociedade de poetas" (se não mortos, bêbados). E, o principal de tudo, a frase "O amor é regido pela Lei de Murphy.", a primeira das "Filosofias Vagabundas", foi dita por mim naquele dia e anotada pelo Diego num guardanapo que ele jura guardar até hoje. Ora, podemos dizer que estava plantada a semente da qual, dois anos e dezessete dias depois, nasceria o blog Vagabundos Iluminados.

Bom, aí alguém pode perguntar pelo camarada Corujão, onde ele estava? Bom, a resposta é a mesma que em 11 de janeiro de 2008 ou 27 de janeiro de 2009: não sabemos... Mas isso não tira o status de "Vagabundagem Iluminada" daquele pastel com cerveja, pelos motivos que já expliquei.

Bom, mas como bebemorar um dia tão especial? Ainda mais com um dos protagonistas daquele diálogo histórico estando tão distante?

Simples: abramos uma cerveja, e na hora de beber o primeiro gole, façamos um brinde, mesmo que "mental", em homenagem.

VIVA A VAGABUNDAGEM ILUMINADA!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Como é difícil a vida de vagabundo

Nosso trabalho deveria ser remunerado...

E viva a heineken

Mulheres que Amamos...

Por Maria-Sem-Vergonha.


Hilda Hilst


Aquele outro não via...
Aquele outro não via minha muita amplidão
Nada lhe bastava. Nem ígneas cantigas.
E agora vã, te pareço soberba, magnífica
E fodes como quem morre a última conquista
E ardes como desejei arder de santidade.
(E há luz na tua carne e tu palpitas.)
Ah, por que me vejo vasta e inflexível
Desejando um desejo vizinhante
De uma fome irada e obsessiva?

Anais Nin

As carícias da noite anterior
haviam sido intensamente maravilhosas,
como todas as chamas multicolores
de um engenhoso fogo de artifício,
irrupções de sóis e neons
explodindo no interior do corpo,
velozes cometas
dirigidos a todos os centros de prazer,
estrelas cadentes de profundas alegrias...



Florbela Espanca

Ódio?
Ódio por ele? Não...
Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme
Campo Santo!
Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo d’outra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...


Virginia Woolf


... quando de repente se apagou a luz. Tínhamos caído. Tudo estava extinto. Não havia cor. A terra estava morta. Esse foi o momento espantoso; e o próximo quando, como que uma bola que tivesse ressaltado, a nuvem ganhou de novo cor, apenas uma pincelada de uma cor etérea, e assim voltou a luz. Tive um sentimento muito forte de que a luz se tinha ido embora numa poderosa obediência; como que algo ajoelhando-se e levantando-se subitamente quando as cores voltaram. Regressaram sobre o vale e as colinas com espantosa luminosidade e rapidez e beleza — primeiro, miraculosamente cintilantes e etéreas, depois, quase como normal, mas com uma grande sensação de alívio. Era como uma recuperação. Tínhamos estado muito pior do que o que pensávamos. Tínhamos visto o mundo morto. Era um dos poderes da natureza. A nossa grandeza também tinha sido aparente.