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terça-feira, 28 de abril de 2009

imagem: www.poisonheart.blogs.sapo.pt

Cinza o céu,
cinzenta a paisagem,
cinzeiros a meu lado.

Cicatrizes na pele
cicatrizam antigas dores,
das quais eu sequer lembrava.

E essa vida segue...

Subindo morros sossegados,
sabotando sambas,
saboreando gostos sórdidos,
sobrando vontades,
escasseando o tempo.

(...)

Sempre soube que assim seria:
que socorreria a mim mesmo
sob o sol de um dia cinza, assim.

E com essa sina que me persegue,
a surrupiar meus vitais sinais
sem cessar.

Sem cessar.

domingo, 26 de abril de 2009

VIDA NA ESTRADA

Vida na estrada,
estrada de um coração vagabundo
que quer abraçar o mundo,
mas não consegue nem ao menos sair de casa.

Coração difamado,
chutado pra longe,
nunca mais visto por aqui.

Silenciar no meio da madrugada
apoiado com os cotovelos na mesa do bar,
aquela garrafa verde
a me interrogar
sobre o que exatamente estou fazendo aqui.

Pensando bem,
não vim de nenhum lugar.
Estou aqui de passagem
porque sempre estive de passagem
em todos os lugares.
Nunca me fixei como um provinciano metido a besta
ou um nostálgico de tempos
onde era possível alimentar muitas ilusões.

Se o tempo é de porcos,
não me importo realmente.
Vou seguir meu caminho
como um cavaleiro andante sem amada,
afinal ela ficou na última estação.
Simplesmente vou, sem destino,
com esses meus pés na estrada.

(Discípulo)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O amor é de direita?

Faz quase dois anos, escrevi um post no Cão Uivador a respeito do mercantilismo do amor nos dias de hoje. Afinal, mais do que por amar, hoje em dia namora-se para mostrar aos outros. E, principalmente, para consumir - prova maior disso é o tal dia dos namorados, comemorado em junho.

Certa vez, li a frase que resume a vida de um típico conformista: "arrume um emprego, case, tenha filhos e morra". Pode parecer que o amor não serve para outra coisa que não "encaminhar a vida" - no caso, a própria. O resto, que se exploda: o importante é "eu ser feliz"; e, principalmente, aparentar felicidade. Uma grande besteira: uma ilha de felicidade em meio à infelicidade predominante tende a se tornar infeliz, e não o contrário.

Mas, afinal, é o amor de direita?

Em si, pelo contrário, ele é o que mais de esquerda pode existir. E mais: é capaz de alguém não entender direito e me chamar de machista, mas não há nada mais revolucionário do que um homem que ama de verdade. Pois ele rompe com o papel que lhe é destinado na sociedade, de "pegador/caçador", e, principalmente, de "dominador" - conforme diz Pierre Bourdieu em "A dominação masculina".

Porém, ao contrário do que até pode parecer, não necessariamente um homem que ama de verdade significa a simples inversão da ordem da dominação. Afinal, o amor considerado "verdadeiro" é, em primeiro lugar, "desinteressado" - ou seja, quase utópico. Ou seja, não amo porque a fulana "tem dinheiro" ou simplesmente "é gostosa" - o que "pega bem" com os amigos machistas. Nem apenas para não ficar sozinho. Logo, não é um falso amor, em que na verdade pensamos apenas nos nossos interesses. E, principalmente, é uma relação igualitária: eu não procuro dominar ela, e a recíproca é verdadeira.

Como eu já escrevi faz um certo tempo, a pessoa de esquerda não coloca seus interesses individuais acima de tudo, bem diferente do direitoso. E isso se aplica, claro, ao amor. Pois pode parecer exagero, mas um casal é uma coletividade. Bem pequena, mas é.

Ou seja: o verdadeiro amor é de esquerda. Já o falso - aquele que se destina a interesses individuais e mesquinhos de um (ou até dos dois), que serve apenas para "mostrar" aos outros ou para consumir em junho -, é e sempre será de direita.

E é também de direita o amor iniciado pela escolha baseada em padrões pré-determinados pela sociedade. Nada mais conservador do que achar que o homem tem sempre que tomar a iniciativa, ser mais velho e ganhar mais do que a mulher. "Tem que ser um protetor da mulher frágil": essa frase serve para mascarar a dominação.

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Pode até parecer contraditório eu escrever isso, sendo que dois meses atrás eu defendi que a paixão deveria ser chutada. Não retiro o que eu disse. Pois paixão não é igual a amor: enquanto o último tem racionalidade, a primeira é apenas emoção - e que, num piscar de olhos, pode se transformar em ódio.

A paixão deve, sim, ser evitada a qualquer custo, ela faz um mal tremendo. Já o amor não.

Mas é também um problema, ironicamente, que o amor seja baseado na razão. Pois é racionalmente que eu olho para os lados e não vejo muitas mulheres que mereçam ser amadas. Pois a maioria apenas quer homens "malandros", dominadores, que colocam seus interesses próprios acima de tudo - e elas não percebem que, assim, acabam legitimando a dominação masculina. Eu, como homem de esquerda que sou, me recuso a tentar conquistar mulheres assim.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Do Nascimento à Morte do Rock'n Roll



Na última sexta-feira, assisti no cinema Honeydripper - Do Blues ao Rock, um filme que considero importante para a formação de um Vagabundo Iluminado.

O enredo não tem nada de mais: conta a história do dono de um bar, chamado Tyrone (Danny Glover), que, passando por dificuldades financeiras, arranja a apresentação de um guitarrista famoso da região, a fim de atrair clientela. Como o artista não aparece para o espetáculo, a chance é dada a um outro músico, Sonny Blake (Gary Clark Jr.), forasteiro na cidade.

O importante da história é o contexto em que ela acontece: O filme se passa nos EUA dos anos 1950, época relevante para a formação do país, em pleno surgimento da guitarra elétrica. É retratado, por exemplo, o preconceito que existia em torno do novo instrumento - o que é, inclusive, demonstrado pelo dono do bar, em sua aversão em permitir que este fosse tocado em seu estabelecimento. Daí, então, o subtítulo "Do Blues ao Rock", pois mostra, na linguagem cinematográfica, obviamente, o surgimento do rock’n roll, um dos pilares da Vagabundagem Iluminada.

Outro ponto alto do contexto do filme é vermos na tela as imagens que encontramos nas obras de Kerouac, particularmente as do livro On The Road: as pequenas cidades de New Orleans, os viajantes vagando pelo sul do país em trens de carga, as plantações de algodão, a negritude, e sua musicalidade em todas as partes. Frases geniais também aparecem, como quando Sonny pergunta ao misterioso músico cego da cidade acerca de seu violão, e este lhe responde: “esse foi a segundo a ser fabricado; o primeiro ficou com o diabo”.

Fica a dica.

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Ainda sobre a história do rock, já que falamos de seu nascimento, vale registrar também a sua “morte”. Isso teria ocorrido em 3 de fevereiro de 1959, quando um acidente aéreo matou os norte-americanos Buddy Holly, Ritchie Valens, e J. P. Richardson, três personalidades consideradas alguns dos pais do rock’n roll. Esse fato é apontado como um dos mais tristes da história da música, e dito “o dia em que a música morreu”. Esse termo foi eternizado pela canção de Don McLean, titulada Miss American Pie. Abaixo, segue a canção na voz de uma das mulheres mais importantes do século XX, Madonna, seguida pela tradução da letra para o português, obtida no site Vagalume:


Há muito, muito tempo atrás
Eu ainda consigo me lembrar
Como aquela música me fazia sorrir
E sabia que se eu tivesse minha chance
Eu poderia fazer aquelas pessoas dançarem
E, talvez, elas seriam felizes por um momento
Mas fevereiro me fez tremer
Com cada jornal que eu entreguei
Más notícias na porta
Eu não podia dar mais nenhum passo
Eu não consigo lembrar se eu chorei
Quando eu li sobre a viúva dele
Mas algo me comoveu profundamente
O dia que a música morreu

Refrão:
Então, tchau tchau, Miss American Pie
Dirigi meu Chevy até a barragem
Mas a barragem estava seca
E eles, bons garotos, estavam bebendo uísque e rye
Cantando "Este será o dia que eu morrerei"
"Este será o dia que eu morrerei"

Você escreveu o livro do amor?
E você tem fé em Deus?
Se a Bíblia te dizer que é assim,
Você acredita em Rock n' Roll?
A música pode salvar sua alma mortal?
E você pode me ensinar a dançar bem devagar?
Bem, eu sei que você está apaixonada por ele
Pois eu vi vocês dançando no ginásio
Vocês dois tiraram os sapatos
Cara, eu entendo o "rhythm and blues"
Eu era um adolescente solitário e desajeitado
Com um cravo rosa e uma caminhonete,
Mas eu sabia que estava sem sorte
No dia em que a música morreu

Eu comecei a cantar

Refrão

Agora por 10 anos nós estivemos sozinhos
E musgo cresce numa pedra rolante
Mas não era assim antes
Quando o bobo da corte cantou para o rei e a rainha
Com um casaco que ele pegou emprestado do James Dean
E uma voz que veio de nós
Oh, e enquanto o rei estava olhando para baixo
O bobo da corte roubou sua coroa de espinhos
A corte judicial foi adiada
Nenhum veredicto foi retornado
E enquanto Lenin lia um livro de Marx
O quarteto praticava no parque
E nós cantamos lamentações no escuro
O dia que a música morreu

Nós estávamos cantando

Refrão

Helter Skelter num verão abafado
Os pássaros voaram com abrigo
Oito milhas de altura e caindo rápido
Pousou na grama
Os jogadores tentaram um passe para frente
Com o bobo da corte no campo
Agora o ar do primeiro tempo foi doce perfume
Enquanto os sargentos tocavam uma marchinha
Todos nós levantamos para dançar
Oh, mas nós nunca tivemos chance
Porque os jogadores tentaram tomar o campo
A banda da marchinha se recusou a desistir
Você se lembra o que foi revelado
No dia que a música morreu?

Nós começamos a cantar

Refrão

Oh, e lá estávamos nós num único lugar
Uma geração "Perdida no Espaço"
Sem tempo para recomeçar
Então, vamos, Jack, seja ágil, Jack, seja rápido
Jack Flash sentou num castiçal
Porque o fogo é o único amigo do diabo
Oh, e enquanto eu o via no palco
Minhas mão estavam cerradas em punhos de raiva
Nenhum anjo nascido no inferno
Poderia quebrar o feitiço do Satanás
E enquanto as chamas subiam pela noite
Para iluminar o ritual de sacrifício
Eu vi o Satanás rir com satisfação
No dia que a música morreu

Eu conheci uma garota que cantava blues
E eu pedi a ela umas boas notícias
Mas ela só deu um sorriso e foi embora
Eu fui à loja sagrada
Onde eu tinha escutado a música anos atrás
Mas o homem lá disse que a música não tocaria
E nas ruas as crianças gritavam
Os amantes choravam e os poetas sonhavam
Mas nenhuma palavra foi dita
Os sinos da igreja estavam todos quebrados
E os três homens que eu mais admirava
O Pai, o Filho e o Espírito Santo
Pegaram o último trem para o litoral
No dia em que a música morreu

E eles estavam cantando

Refrão

domingo, 19 de abril de 2009

Musas dos Vagabundos: Clarice Lispector

Como não preparei nada para postar hoje no Vagabundos, vou reproduzir, com alguns acréscimos, um post do meu blog particular, o "Coruja Lunática". Nos últimos dias estamos tendo uma discussão acirrada sobre quem deve fazer parte das musas dos Vagabundos Iluminados. Então, dou-me a liberdade de fazer uma homenagem a uma das minhas maiores musas, a linda Clarice Lispector.

Alguns trechos:

"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja".

"E era bom.' Não entender ' era tão vasto que ultrapassava qualquer entender - entender era sempre limitado. Mas não entender não tinha fronteiras e levara ao infinito, ao Deus. Não era um não-entender como um simples de espírito. O bom era ter uma inteligência e não entender. Era uma benção estranha como a de ter loucura sem ser doida. Era um desinteresse manso em relação às coisas ditas do intelecto, uma doçura de estupidez."

"Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão....tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer... Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca."

"Pergunto-te em que reino estiveste de noite. E a resposta é: estive no reino do que é livre, respirei a magna solidão do escuro e debrucei-me à beira da lua. Noite alta fazia tal silêncio. Igual ao silêncio de um objeto pousado em cima de uma mesa: silêncio asséptico de "a coisa". Também existe grande silêncio no som de uma flauta: esta desenrola lonjuras de espaços ocos de negro silêncio até o fim do tempo."


Aqui, entrevista da autora na década de 70, juntamente com um programa da TV Cultura dedicado a ela. Postado somente a parte 1, é preciso seguir a seqüência no "tubo":



Site oficial:
http://www.claricelispector.com.br

Obras da autora:
Releituras

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mulheres de Verdade

Clarice Lispector

Há quem diga que os Vagabundos Iluminados são machistas.

Ora, essa declaração só pode vir de alguém com, digamos, pouca capacidade de entender as coisas. Pessoas inteligentes entendem que esse blog, muito pelo contrário, tem por finalidade exaltar as mulheres, mas as mulheres de verdade, e não essas bonecas de plástico que vemos por aí. Sinceramente, eu diria até que esse blog é feminista: um espaço de luta contra o maniqueísmo com que as mulheres são tratadas atualmente.

No entanto, pode parecer às vezes, e mesmo às pessoas inteligentes, que nossa definição de “mulher de verdade” não seja muito clara. E, de fato, não o é, tampouco para nós: cada Vagabundo tem a sua definição de “mulher de verdade”, sua imagem preferida que vem à mente sempre que se sente só numa noite de domingo, à frente de um copo de vinho, ou diante de um livro de Kerouac.

Parece consenso entre todos os Vagabundos, porém, por exemplo, que uma mulher de verdade deva ser inteligente. Esse papo de que homem gosta de mulher burra é uma besteira! Ou melhor, é verdade, mas sob uma pequena condição: homens burros gostam de mulheres burras. Às vezes, prezada leitora, e é bom avisar, os homens burros lhes tratam como se todas vocês, sem as honrosas exceções, fossem burras (e, confessemos, cá entre nós, que às vezes também é isso que vocês querem, mas, enfim, deixemos isso para uma outra ocasião). Então, a você, prezada leitora, talvez seja conveniente tratar um pouco também das características do homem burro: o homem burro, por exemplo, gosta de axé e de micaretas (aliás, para um Vagabundo Iluminado, gostar de axé e micaretas é a definição de burrice), de música sertaneja, de MPB, de samba e de coisas do tipo Los Hermanos; se emociona com telenovelas; não bebe; não cospe; prefere comer uma mulher olhando-a nos olhos que a pondo de quatro; não fala palavrões; e, o pior de tudo, geralmente têm facilidade em iniciar conversas com vocês. Portanto, se um dia, prezada leitora, tu conheceres um homem assim, trata-se, na verdade, de um homem burro; e se ele está interessado em ti, é porque tu és, no mínimo aparentemente, uma mulher burra também.

Rita Lee

Para um Vagabundo Iluminado, seguindo a definição, uma mulher de verdade igualmente não tem neuroses com a aparência. Calma, querida, não é isso: sabemos, sim, e bem, avaliar a beleza de uma mulher, e gostamos que vocês se cuidem, sejam cheirosas e fogosas. O que não suportamos é aquele cabelo queimado de chapinha, aquela pele laranja de sol, aquela cara dura de maquiagem, e aquelas frescuras todas de não-me-toques. A mulher de verdade sabe que é bela naturalmente, sabe valorizar seu charme, e entende que um Vagabundo Iluminado é capaz de reconhecê-la assim, fazendo disso sua maior arma de sedução.

Um dia, imaginem, leitores, uma dessas pessoinhas medíocres que tanto nos cercam me perguntou se, a desdém das minhas opiniões, eu costumava bater punheta para as Xeilas da vida ou para uma das minhas tais “mulheres de verdade”. Ora, respondi, é lógico que para as Xeilas da vida. E sabem por quê? Porque, para um Vagabundo Iluminado, as Xeilas servem para isso mesmo: bater punheta, dar com o tico na cara, meter uns tapas na bunda e, no dia seguinte, comentar sobre isso com os amigos. A mulher de verdade, por sua vez, é aquela que admiramos, que respeitamos, a quem levamos flores, em quem queremos aconchegar nossa cabeça por entre os seios em noite frias, com quem queremos andar de mãos dadas pela rua, e com quem queremos ter noites e mais noites de amor de verdade - como merecem elas, e nós.

Rosa Luxemburgo

Porque a mulher de verdade não se define somente em algumas características. A mulher de verdade são nomes e personagens: Clarice Lispector é mulher de verdade; Cat Power é mulher de verdade; Elis Regina é mulher de verdade; Rosa Luxemburgo; Janis Joplin; Rita Lee; e outras tantas conhecidas e anônimas que vemos por aí, correndo com seus tênis simples pelas ruas, com seus livros embaixo do braço, suas peles brancas com bochechas rosadas, seus cabelos crespos, suas pernas finas, seus olhos profundos, seus pensamentos distantes, e tudo o mais que compõe a mais intensa beleza de um ser, que é a beleza das mulheres.

Essas, sim, mulheres de verdade.

domingo, 12 de abril de 2009

Qual é o sexo do seu cérebro?

Pode um homem ter um cérebro feminino e uma mulher um cérebro masculino? Pois é, pode! Segundo a neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, pode sim. Eu nunca acredito neste tipo de pesquisa. Constrõem uma visão esteriotipada de homens e mulheres. Qualquer coisa que fuja do padrão socialmente aceitável sobre o que é ser homem ou o que é ser mulher já é motivo para esbelecer tendências homossexuais para alguém. Embora feita a ressalva, não custa brincar e conferir se seu cérebro obedece a sua condição sexual física. Confira o link abaixo e faça o teste. Você pode descobrir se é uma mulher ou homem em potencial, mesmo que nem imaginasse uma coisa dessas. Eu só fico me perguntando se esses cientistas não tem mais o que fazer da vida. Depois eu é que sou vagabundo. Tudo bem...

Página da Revista Época para fazer o teste: clique aqui

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os Vagabundos com Barriguinha de Chope

Por estarmos tirando os Vagabundos do estracismo, e ressurgirmos das cinzas, vou me dar a liberdade de repetir o post onde a Danuza Leão fala dos barrigudinhos. Isto porque esse texto é uma espécie de Manifesto para qualquer mulher que queira se libertar da opressão do mundo esteticamente perfeito. Sejamos livres! O blog apóia essa causa das verdadeiras mulheres desse mundo On The Road. Que os demais membros do blog não se importem com o texto repetido, mas o retorno dos Vagabundos Iluminados merece algo dessa grandeza. Avisando que a partir de agora teremos três novas postagens por semana, nas terça, nas quintas e nos domingos, uma de cada vagabundo. Voltamos!


PARA OS BARRIGUDINHOS

Meninas de todo o Brasil, tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute!

Na próxima vez que encontrá-lo, tente (disfarçadamente) descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo "tanquinho", fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Senão, não presta. Veja bem, não estou falando daqueles gordos suados, que sentam horas na frente da televisão com um balde de frango frito e que, quando se abaixam, mostram um cofre peludo. Não! Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma - e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os "tanquinhos" farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou Coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco ou coca-light. Ou, pior ainda, um copo com gelo pra beber a mistura patética de vodka com "clight" que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.

E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um "ah, amor, 'Quarteirão' é gostoso, mas você podia provar uma 'McSalad' com água de coco". Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará seu relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo!

Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz. Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível! Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional. Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.


Danuza Leão

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Velhas Virgens - Uns Drinks

Tô chegando em casa
Com todo o cuidado
São três da manhã
Eu tô embriagado
Eram só uns drinks
Pra abrir o apetite
Eu Perdi o limite
E travei novamente
Tirei os sapatos
E entrei de mansinho
Você tá deitada
Lá vou eu de fininho
E se você acordar
Eu digo que levantei
Pra beber uma água
E se você não acreditar
Eu me calo e te ouço Babyy

Mas vê se não reclama muito aaaa
Meu amor
Senão eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber
eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber

Hoje é um novo dia
bebida é passado
Eu tô regenerado
Da vida vadia
Alguém me convida
Pra tomar um gole
E Pra quem é chegado
Negar não é mole
Que mal pode haver
Numa cervejinha
Uma chama a outra
a próxima é minha
E cá estou eu outra vez
Tropeçando na minha sombra
Pior vai ser
Se você resolver
Cheirar a minha boca

Mas vê se não reclama muito aaaa
Meu amor
Senão eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber
eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber yeah

Eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber
Eu te largo falando sozinha
E vou pro bar
A noite é minha
E eu não quero nem saber...

Se vem com sermão (te largo sozinha)
Pinga com limão (te largo sozinha)
Se vem com jeitinho (te largo sozinha)
Manda um bombeirinho (te largo sozinha)
Piada sem graça (te largo sozinha)
Manda uma cachaça (te largo sozinha)
Se vem a cavalo (te largo sozinha)
Um rabo de galo (te largo sozinha)

{Eu só sei mesmo é beber...
Eu só sei mesmo é beber...}(7x)