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terça-feira, 15 de junho de 2010

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mapa Alcoólico da Europa


Mapa da Europa de acordo com a bebida alcóolica mais consumida em cada região: O vinho é a bebida mais popular nas regiões em vermelho, a cerveja é mais popular nas regiões em amarelo, e a vodca é mais popular nas regiões em azul.

Dica do Ricardo Martini.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Utilidade Pública para a Copa do Mundo (na Campanha "Vagabundos por um Mundo Melhor!")


Queridas Fêmeas;

Divulgamos as 13 regras para a Copa de 2010 para que vocês leiam com calma, entendam e não encham nossos sacos:

1. Durante a Copa, a televisão é minha. 100% minha, o tempo todo. Sem exceção nem discussão. Estarei cagando e andando se for o último capítulo da novela das 8, onde Helena, a mocinha, comete suícidio introduzindo um ferro em brasa na boca.. Se você dirigir o olhar ao controle remoto, uma vez sequer, você perderá... Perderá os olhos!

2. De 9 de junho a 9 de julho de 2010, você deverá ler a seção de esportes do jornal de modo a se manter a par do que se passa com respeito à Copa do Mundo, o que lhe permitirá participar das conversas. Caso não proceda desta maneira, você será olhada com maus olhos, ou mesmo ignorada por completo. Neste caso, não reclame por não receber nenhuma atenção.

3. Se você precisar passar em frente à TV durante um jogo, eu não me importarei, contanto que o faça rastejando e sem me distrair.

4. Durante os jogos eu estarei cego, surdo e mudo, exceto nos casos em que eu solicite que me encha o copo de cerveja, ou peça a você a gentileza de me trazer algo para comer. Você estará fora de si se achar que irei ouví-la, abrir a porta, atender o telefone ou pegar nosso bebê que possa ter caído no chão... não vai acontecer.

5. É uma boa idéia manter pelo menos 2 caixas de cerveja na geladeira o tempo todo, bem como razoável variedade de tira-gostos e belisquetes. E, por favor, não faça cara feia para meus amigos quando eles vierem assistir jogo aqui em casa comigo. Como recompensa, você estará autorizada a assistir TV entre meia-noite e seis da manhã, a menos, é claro, que neste período haja a reprise de algum jogo que eu tenha perdido durante o dia.

6. Por favor, por favor, por favor! Se me vir contrariado por algum time de meu interesse estar perdendo, NÃO DIGA coisas como "Ah, deixa isso pra lá, é só um jogo..." ou "Não se preocupe, eles vão ganhar da próxima vez..." Se disser coisas desse tipo, só me deixará com mais raiva e vou amá-la menos. Lembre-se, você jamais saberá mais sobre futebol do que eu e suas supostas "palavras de encorajamento" apenas nos levarão à separação ou ao divórcio.

7. Você será bem-vinda a sentar-se comigo para assistir um jogo e poderá me dirigir a palavra no intervalo entre o 1º e o 2º tempos, mas apenas durante os comerciais e (importante) APENAS se o placar do primeiro tempo tiver sido do meu agrado. Favor notar também que especifiquei UM jogo, ou seja, não use a Copa do Mundo como pretexto mimoso para aquela coisa de "passarmos tempo juntos".

8. Os repetecos dos gols são muito importantes. Não importa se já vi o gol ou não, eu quero ver novamente.

Muitas vezes.

9. Não incomode a mim ou meus amigos perguntando sobre as regras do futebol. Olhe o jogo e finja que está entendendo. Pule e grite quando eu pular e gritar. Nunca, jamais pergunte como funciona a regra do IMPEDIMENTO. Você não tem capacidade intelectual para entender.

10. Avise suas amigas para no mês da Copa não darem à luz nenhum neném, ou mesmo promover qualquer festa de criança ou eventos de qualquer natureza que exijam minha presença, porque: a) Eu não vou; b) Eu não vou, e c) Eu não vou.

11. No entanto, se um amigo meu nos convidar para ir à casa dele num domingo para assistir um jogo, iremos de imediato.

12. As resenhas e debates esportivos da Copa toda noite na TV são tão importantes quanto os jogos propriamente ditos. Que nem lhe passe pela cabeça dizer coisas como "Mas você já viu isso tudo... porque não muda para um canal que todos possamos assistir?" Se disser algo assim, saiba desde já que a resposta será: "Veja a regra nº 1 dessa lista".

13. E, finalizando, por favor poupe-me de expressões como "Graças a Deus que só tem Copa do Mundo de quatro em quatro anos". Estou imune a manifestações ridículas dessa natureza, pois após a Copa vêm a Liga dos Campeões, a Sub20, o campeonato italiano, o espanhol, o alemão, o brasileirão, o gauchão, o cariocão, o paulistão, o mineirão, etc.

Grato por sua cooperação.

(Dica do Thomas, recebida por email)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

imagem: delrei.wordpress.com


O que me irrita
é essa obrigação de ser feliz.

É essa pretensão de sempre vermos cores em tudo,

de apreciarmos os amanheceres,
de nos encantarmos com cantos,
de nos divertirmos com crianças pelas ruas,
de pularmos carnaval,
de acharmos singela a ignorância alheia.

O que me irrita
é essa indecência que é assumir frustrações.

É essa incapacidade de nos assumirmos limitados.
Essa alegria toda, por conveniência.
Essa baboseira em que nos tornamos.

O que me irrita
é essa futilidade em que se tornou
o ato de sentir.



Poema publicado também no Poema Dia.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Dieta do Engenheiro

imagem: neonet.com.br


"Já que NINGUÉM segue a dieta da nutricionista, fiquem com a do Engenheiro!

Eu sempre repito que os engenheiros são objetivos e brilhantes.

Dieta fantástica: pelas leis da termodinâmica, todos nós sabemos que uma caloria é a energia necessária para aquecer 1g de água de 21,5° para 22,5° C.

Não é necessário ser nenhum gênio para calcular que, se o ser humano beber um copo de água gelada (200ml ou 200g), aproximadamente a 0°C, necessita de 200 calorias para aquecer em 1°C esta água. Para haver o equilíbrio térmico com a temperatura corporal, são necessárias então aproximadamente 7.400 calorias para que estes 200g de água alcancem os 37° C da temperatura corporal ( 200 g X 37°C ).. E, para manter esta temperatura, o corpo usa a única fonte de energia disponível: a gordura corporal. Ou seja, ele precisa queimar gorduras para manter a temperatura corporal estável.

A termodinâmica não nos deixa mentir sobre esta dedução.

Assim, se uma pessoa beber um copo grande de aproximadamente 400 ml, na temperatura de 0° C de cerveja, ela perde aproximadamente 14.800 calorias (400g x 37°C ). Agora, não vamos esquecer de descontar as calorias da cerveja, aproximadamente 800 calorias para 400g.

Passando a régua, tem-se que uma pessoa perde aproximadamente 14.000 calorias com a ingestão de um copo de cerveja gelado. Obviamente quanto mais gelada for a cerveja maior será a perda destas calorias.

Como deve estar claro a todos, isto é muito mais efetivo do que, por exemplo, andar de bicicleta ou correr, nos quais são queimadas apenas 1000 calorias por hora.

Amigos, emagrecer é muito simples, basta beber cerveja bem gelada, em grandes quantidades e deixarmos a termodinâmica cuidar do resto.

Saúde a todos!!!

Já pro boteco... malhar!!!"

(também recebido por e-mail)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Há quase um ano...

No dia 7 de maio, próxima sexta-feira, completará um ano que estive no Rio de Janeiro. Mais precisamente, aqui:

segunda-feira, 19 de abril de 2010


Em frente ao mar,
com sol sem acesso à minha pele.

Só com o vento a fatigá-la,
e o moletom sobre a camisa puída,
o chinelo com areia entre meus dedos,
um café nas mãos,
sob aquele céu nublado.

E mais ninguém,
e mais nada,
além disso.

Além de tudo,
que me basta.

terça-feira, 13 de abril de 2010

20 curiosidades sobre a Cerveja!

  • Os babilônios foram os primeiros a produzir;
  • Na Idade Média, pelo fato da água limpa ser rara, as pessoas optavam por cerveja como forma de manter a saúde;
  • Em 1814, um maremoto de cerveja demoliu duas casas e matou nove pessoas;
  • Cenosilliacaphobia é o medo de copo vazio.

Veja as outras dezesseis aqui.

(Dica da Lili)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

The girl I'm looking for...


She puts her makeup on like graffiti on the walls of the heartland
She's got her little book of conspiracies right in her hand
She is paranoid like endangered species headed into extinction
She is one of a kind, well, she's the last of the American girls

She wears her overcoat for the coming of the nuclear winter
She is riding her bike like a fugitive of critical mass
She's on a hunger strike for the ones who won't make it for dinner
She makes enough to survive for a holiday of the working class

She's a runaway of the establishment incorporated
She won't cooperate, well, she's the last of the American girls

She plays her vinyl records singing songs on the eve of destruction
She's a sucker for all the criminals breaking the laws
She will come in first for the end of Western civilization
She's an endless war, she's a hero for the lost cause

Like a hurricane in the heart of the devastation
She's a natural disaster, she's the last of the American girls

She puts her makeup on like graffiti on the walls of the heartland
She's got her little book of conspiracies right in her hand
She will come in first for the end of Western civilization
She's a natural disaster, she's the last of the American girls

terça-feira, 23 de março de 2010

A Formação da Identidade Feminina

Por Gilberto Miranda Jr:

“Como uma mulher poderia dizer o que deseja se grande parte do que ela deseja foi engendrada nela a partir de um universo que apenas lhe tange e não a abriga como sujeito? Confundimos as referências das mulheres, impondo-nos a nossa referência, e exigimos que elas se expliquem.”

Leia o texto completo aqui.

segunda-feira, 15 de março de 2010

As Dores do Cravo

Depois da briga,
a ela, os poemas,
as canções, os consolos.

A ele, a culpa, a maldade,
a doença.

Embora o amor dele, por ela,
talvez seja ainda maior.
E sua dor, após a briga,
mais intensa,
mais corrosiva,
menos virtuosa

do que se fala da dela,
em discos, versos,
imagens.

A ela, coube os ombros amigos,
as palavras de auto-estima.

A ele, o travesseiro
e o quarto frio.

A ela, a singeleza das manhãs frescas.
A ele, o torpor das madrugadas de calor.

A ela, os jardins e buquês.
A ele, os cafés e as vodcas.

A dele é assentimental,
é rude, imperceptível,
impassível de compaixões.

É solitária,
de todo o modo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

Mulherada;


imagem: media.animegalleries.net

Vocês não valem nada, mas nós gostamos de vocês!


Fica a singela homenagem dos Vagabundos Iluminados!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Esse é Vagabundo!

Do site O Globo:


"Brian Fareham, de 60 anos, está sendo chamado de o homem menos romântico do Reino Unido!
Em 40 anos de casado, o sujeito...

- Levou a esposa, Adria, para comer fora uma única vez. E mesmo assim em um restaurante de beira de estrada frequentado por caminhoneiros. Em prato de plástico!

- Deu à mulher um único presente: UMA FORQUILHA! Para que ela pudesse mexer no jardim de casa...

A cerimônia de casamento, quatro décadas atrás, custou a Brian o equivalente a 45 reais (9 reais dos quais usados para comprar o vestido de noiva). A lua de mel foi em um supermercado, comprando comida e sabão para que ela pudesse estrear a pia, segundo reportagem do 'Daily Mirror'.

'Brian jamais fez algo romântico para mim', desabafa Adria, também de 60 anos.

Voltando no tempo, Adria recorda o primeiro encontro: ela pôs o melhor vestido para esperar o amado e, quando ele chegou à casa dela, Brian quis ficar vendo televisão...

O casal tem três filhos. Já aposentado, Brian passa a maior parte do tempo sentado em uma poltrona em frente à TV ou brincando com os netos.

'Ele me chama para aumentar o volume da TV se não está com o controle remoto perto', diz Adria, que sempre atende ao pedido do marido.

Apesar de Brian ser o extremo oposto de Don Juan, a esposa o ama cada vez mais e não desgruda dele. E mesmo sabendo que vai passar em casa o Dia de São Valentino (o Dia dos Namorados em vários países do Hemisfério Norte - 14 de fevereiro), faz juras eternas de amor a Brian.

'Ele não tem sequer um osso romântico no corpo, mas é um homem fiel. Estamos juntos na alegria e na tristeza e isso é uma coisa que o dinheiro não pode comprar', vibra a esposa."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mulher é igual a funcionário público

Os funcionários públicos, de forma geral, pertencem a uma categoria muito peculiar do mercado de trabalho. Grosso modo, isso se deve ao que nós, economistas, chamamos de “mecanismos de incentivo”, o ambiente a que esses funcionários estão submetidos para exercerem suas diferentes funções, e que direcionam sua racionalidade econômica.

Uma diferença que os funcionários públicos têm em relação aos demais trabalhadores, saltitante aos olhos, se refere à forma como buscam obter melhores salários. Todo o trabalhador que busca uma melhor remuneração pelo que faz, dentro de uma lógica de mercado, tenta aumentar sua produtividade. Assim, na iniciativa privada, quando qualquer um de nós busca ter um melhor salário, tentamos aumentar inicialmente nossa produtividade, trabalhando mais e/ou melhor: o dentista procura atender mais pacientes e/ou melhor os que já tem, o advogado tenta vencer causas mais difíceis, o operário tenta aumentar sua produção, o professor tenta lecionar mais alunos ou se destacar entre seus colegas etc.

Com os funcionários públicos, perceba, prezado leitor, acontece o contrário: o dentista passa a atender mal seus pacientes ou deixá-los esperando horas na fila do SUS, o policial passa a ser estúpido para com os cidadãos e a corromper-se, e o professor passa a dar uma aula de pior qualidade a seus alunos. Ou seja, quando requerem melhores salários, os funcionários públicos geralmente reduzem sua produtividade, atendendo mal à população a que prestam serviço, reduzindo o ritmo de suas atividades e, em última instância, fazendo greve.

Andei pensando que com as mulheres acontece mais ou menos a mesma coisa. Já há um tempo, contei aqui no Vagabundos a frustração por que passei quando estive apaixonado por uma mulher, numa situação pela qual muitos de vocês, leitores, já devem ter passado. Na ocasião, me aproximei dela devagar, procurei ser atencioso, passar-lhe confiança, criarmos uma intimidade. Na hora do bote, no entanto, ouvi dela que eu era “um homem maravilhoso, muito querido, doce, uma pessoa com quem gostaria de ficar ao lado a vida inteira”, mas que, por isso (?!), deveríamos ser somente amigos.

Perceba, leitor, que, ao querer um aumento de rendimento (manter-me a seu “lado a vida inteira”, porque eu era “um homem maravilhoso, muito querido, doce”), ela reduziu sua produtividade (digamos, amorosa).

Tenho outro caso mais elucidativo:

Também já há um tempo, comecei a me relacionar de forma mais séria com uma (outra) mulher. Saíamos com freqüência, passeávamos, conhecíamos um os amigos do outro, e por aí vai. Lá pelas tantas, conversando sobre relacionamentos passados, ela me contou que numa oportunidade havia dado para um cara que havia conhecido poucas horas antes, na festa em que estava. Claro que, como candidato a uma relação séria com ela, isso me incomodou um pouco, mas até aí, tudo bem – afinal, sou um feminista militante e defensor da total liberdade da mulher!

O incômodo foi aumentando, no entanto, conforme o tempo foi passando sem que ela me desse pela primeira vez, finalmente. Passaram-se semanas, mais semanas, e nada. (Ora, convenhamos que eu não estava tentando comer uma virgenzinha, e isso se enfatizava sempre que eu lembrava da tal “festa” a que ela havia ido.)

Incomodado, pois, fui conversar com ela a respeito. Ouvi que “estávamos criando uma relação bacana, de futuro, que ela estava desenvolvendo um grande carinho por mim, e que, portanto (?!), as coisas deveriam acontecer mais devagar, sem pressa”.

Acredito que aqui minha teoria tenha ficado mais clara: a fim de aumentar seus rendimentos (no caso, ter uma relação mais séria), essa mulher reduziu sua produtividade (no caso, a sexual).

Essa minha descoberta (quase científica, modéstia à parte) nos faz concluir coisas que, antes, eram somente constatações empíricas. A principal delas – a que tu, prezado leitor Vagabundo, e certamente muitas das queridas fêmeas que lêem esse blog já devem ter chegado em algum momento de suas vidas – é que mulher gosta definitivamente de homem cafajeste. O que antes não tinha explicação agora tem. E, logo, as dicas que tenho para dar aos companheiros Vagabundos quando se relacionarem com uma mulher, decorrentes dessa teoria, são jamais tratá-la com carinho, jamais obter sua confiança, jamais mantê-la a seu lado por mais que algumas horas, jamais demonstrar qualquer tipo de afeto. Seguindo essas dicas, prezado leitor, garanto, suas chances de comê-la são maiores. (No último caso que citei, eu, de quem aquela mulher estava gostando de fato, tive que esperar semanas para meter; o outro, que ela havia conhecido na festa, esperou horas. Solução? Ser o “outro”, é lógico!)

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p.s. Como já aconteceu outras vezes, talvez algumas mulheres se indignem com esse post, chamando-o de machista. Queridas fêmeas, esse blog não é machista - pelo contrário, como uma leitora atenta e inteligente (característica cada vez menos valorizada por vocês em vocês mesmas) já deve ter percebido. Da mesma forma que, apesar de tanto se falar mal do governo, todos parecem ainda querer ser funcionários públicos, sabemos (e agora com base em teoria) que, apesar dos bicos e carinhas de emburrada, é de nós, “machistas”, cafajestes e Vagabundos de quem vocês realmente gostam.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tosse

imagem: allinyaraujo.blogspot.com


Era desordem a forma em que se encontravam seus pensamentos quando se deu conta disso no único momento de consciência que teve, ao acordar de súbito, no meio da madrugada. Foi uma surpresa, pois ainda nem sequer havia dormido. A sabedoria do tempo, no entanto, depois lhe esclareceu que aquela confusão de pensamentos era exatamente fruto do típico transe em que entramos quando estamos na fronteira do sono. E que tosse! Aquela tosse terrível fora a responsável por lhe inibir o sono a noite toda. A tosse era um transtorno ao rumo natural das coisas, e assim não poderia ser.

Na verdade, a tosse estava associada à posição de seu tórax quando dormia. Pô-lo na horizontal o fazia tossir, já havia pensado nisso. Se pelo menos pudesse dormir em pé... A tosse era um desafio ao dever de acordar cedo na manhã seguinte, uma audácia que não era bem-vinda. Acabava se mantendo acordado na luta pela obrigação do descanso, e de acordar cedo, o que ajudava a manter o transe. Que tosse maldita!

Aquela tosse era a significação física de tudo que sentia e não era, digamos, fisicamente expressável de outra forma. Ninguém morre de tosse, mas é impossível conviver com ela. E assim era... Era uma tosse dentro do coração.

Pensando bem, morre-se de tosse... Ah, morre-se, sim.

Seu coração tossia, fazendo tremer todo o restante de seu corpo, o impedindo de descansar. Tossia por uma causa antiga. Tratavam-se de resquícios de uma doença passada, porém mal curada. Seu coração tossia porque ainda não estava curado.

Haveria de ser uma tosse crônica... Sua tosse tinha um nome...

Enquanto não aprendia a conviver com o sentimento da tosse, rolava pela cama em busca do sono. Rolar na cama era a morfina para o que sentia, mas em outros braços, e não daquele jeito, rodeado de uma confusão de pensamentos. Ah, os braços da tosse... Que vontade...

De repente, parou de se debater. Sua mente se tranqüilizou. Seu coração jamais o faria, mas decidiu dar uma trégua, pelo menos, em nome de uma paz momentânea. Não era a cura, sabia. Poderia ser a morte, mas era somente o sono.

Estava, enfim, cansado de tossir...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Canto ao Homem do Povo - Charles Chaplin

imagem: dialogos-impertinentes.blogger.com.br


Por Carlos Drummond de Andrade


I


Era preciso que um poeta brasileiro,
não dos maiores, porém dos mais expostos à galhofa,
girando um pouco em tua atmosfera ou nela aspirando a viver
como na poética e essencial atmosfera dos sonhos lúcidos,

era preciso que esse pequeno cantor teimoso,
de ritmos elementares, vindo da cidadezinha do interior
onde nem sempre se usa gravatas mas todos são extremamente polidos
e a opressão é detestada, se bem que o heroísmo se banhe em ironia,

era preciso que um antigo rapaz de vinte anos,
preso à tua pantomima por filamentos de ternura e riso dispersos no tempo,
viesse recompô-los e, homem maduro, te visitasse
para dizer-te algumas coisas, sobcolor de poema.

Para dizer-te como os brasileiros te amam
e que nisso, como em tudo mais, nossa gente se parece
com qualquer gente do mundo - inclusive os pequenos judeus
de bengalinha e chapéu-coco, sapatos compridos, olhos melancólicos,

vagabundos que o mundo repeliu, mas zombam e vivem
nos filmes, nas ruas tortas com tabuletas: Fábrica, Barbeiro, Polícia,
e vencem a fome, iludem a brutalidade, prolongam o amor
como um segredo dito no ouvido de um homem do povo caído na rua.

Bem sei que o discurso, acalanto burguês, não te envaidece,
e costumas dormir enquanto os veementes inauguram estátua,
e entre tantas palavras que como carros percorrem as ruas,
só as mais humildes, de xingamento ou beijo, te penetram.

Não é a saudação dos devotos nem dos partidários que te ofereço,
eles não existem, mas a de homens comuns, numa cidade comum,
nem faço muita questão da matéria de meu canto ora em torno de ti
como um ramo de flores absurdas mando por via postal ao inventor dos jardins.

Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,
que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,
são duras horas de anestesia, ouçamos um pouco de música,
visitemos no escuro as imagens - e te descobriram e salvaram-se.

Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,
os parias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, os cismarentos,
os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.

E falam as flores que tanto amas quando pisadas,
falam os tocos de vela, que comes na extrema penúria, falam a mesa, os botões,
os instrumentos do ofício e as mil coisas aparentemente fechadas,
cada troço, cada objeto do sótão, quanto mais obscuros mais falam.


II


A noite banha tua roupa.
Mal a disfarças no colete mosqueado,
no gelado peitilho de baile,
de um impossível baile sem orquídeas.

És condenado ao negro. Tuas calças
confundem-se com a treva. Teus sapatos
inchados, no escuro do beco,
são cogumelos noturnos. A quase cartola,
sol negro, cobre tudo isto, sem raios.

Assim, noturno cidadão de uma república
enlutada, surges a nossos olhos
pessimistas, que te inspecionam e meditam:
Eis o tenebroso, o viúvo, o inconsolado,
o corvo, o nunca-mais, o chegado muito tarde
a um mundo muito velho.

E a lua pousa
em teu rosto. Branco, de morte caiado,
que sepulcros evoca mas que hastes
submarinas e álgidas e espelhos
e lírios que o tirano decepou, e faces
amortalhadas em farinha. O bigode
negro cresce em ti como um aviso
e logo se interrompe. É negro, curto,
espesso. O rosto branco, de lunar matéria,

face cortada em lençol, risco na parede,
caderno de infância, apenas imagem
entretanto os olhos são profundos e a boca vem de longe,
sozinha, experiente, calada vem a boca
sorrir, aurora, para todos.

E já não sentimos a noite,
e a morte nos evita, e diminuímos
como se ao contato de tua bengala mágica voltássemos
ao país secreto onde dormem os meninos.
Já não é o escritório e mil fichas,
nem a garagem, a universidade, o alarme,
é realmente a rua abolida, lojas repletas,
e vamos contigo arrebentar vidraças,
e vamos jogar o guarda no chão,
e na pessoa humana vamos redescobrir
aquele lugar - cuidado! - que atrai os pontapés: sentenças
de uma justiça não oficial.


III


Cheio de sugestões alimentícias, matas a fome
dos que não foram chamados à ceia celeste
ou industrial. Há ossos, há pudins
de gelatina e cereja e chocolate e nuvens
nas dobras do teu casaco. Estão guardados
para uma criança ou um cão. Pois bem conheces
a importância da comida, o gosto da carne,
o cheiro da sopa, a maciez amarela da batata,
e sabes a arte sutil de transformar em macarrão
o humilde cordão de teus sapatos.

Mais uma vez jantaste: a vida é boa.
Cabe um cigarro: e o tiras
da lata de sardinhas.
Não há muitos jantares no mundo, já sabias,
e os mais belos frangos
são protegidos em pratos chineses por vidros espessos.

Há sempre o vidro, e não se quebra,
há o aço, o amianto, a lei,
há milícias inteiras protegendo o frango,
e há uma fome que vem do Canadá, um vento,

uma voz glacial, um sopro de inverno, uma folha
baila indecisa e pousa em teu ombro: mensagem pálida
que mal decifras
o cristal infrangível. Entre a mão e a fome,
os valos da lei, as léguas. Então te transformas
tu mesmo no grande frango assado que flutua
sobre todas as fomes, no ar; frango de ouro
e chama, comida geral, que tarda.


IV

O próprio ano novo tarda. E com ele as amadas.
No festim solitário teus dons se aguçam.
És espiritual e dançarino e fluido,
mas ninguém virá aqui saber como amas
com fervor de diamante e delicadeza de alva,
como, por tua mão a cabana se faz lua.

Mundo de neve e sal, de gramofones roucos
urrando longe o gozo de que não participas.
Mundo fechado, que aprisiona as amadas
e todo o desejo, na noite, de comunicação.

Teu palácio se esvai, lambe-te o sono,
ninguém te quis, todos possuem,
tudo buscaste dar, não te tomaram.
Então encaminhas no gelo e rondas o grito.

Mas não tens gula de festa, nem orgulho
nem ferida nem raiva nem malícia.
És o próprio ano-bom, que te deténs. A casa passa
correndo, os copos voam,
os corpos saltam rápido, as amadas
te procuram na noite... e não te vêem,
tu pequeno, tu simples, tu qualquer.

Ser tão sozinho em meio a tantos ombros,
andar aos mil num corpo só, franzino,
e ter braços enormes sobre as casas,
ter um pé em Guerrero e outro no Texas,
falar assim a chinês a maranhense,
a russo, a negro: ser um só, de todos,
sem palavra, sem filtro,
sem opala:
há uma cidade em ti, que não sabemos.


V


Uma cega te ama. Os olhos abrem-se.
Não, não te ama. Um rico, em álcool,
é teu amigo e lúcido repele
tua riqueza. A confusão é nossa, que esquecemos
o que há de água, de sopro e de inocência
no fundo de cada um de nós, terrestres. Mas, ó mitos
que cultuamos, falsos: flores pardas,
anjos desleais, cofres redondos, arquejos
poéticos acadêmicos; convenções
do branco, azul e roxo; maquinismos,
telegramas em série, e fábricas e fábricas
e fábricas de lâmpadas, proibições, auroras.
Ficaste apenas um operário
comandado pela voz colérica do megafone.
És parafuso, gesto, esgar.
Recolho teus pedaços: ainda vibram,
lagarto mutilado.

Colo teus pedaços. Unidade
estranha é a tua, em mundo assim pulverizado.
E nós, que a cada passo nos cobrimos
e nos despimos e nos mascaramos,
mal retemos em ti o mesmo homem,

aprendiz
bombeiro
caixeiro
doceiro
emigrante
forçado
maquinista
noivo
patinador
soldado
músico
peregrino
artista de circo
marquês
marinheiro
carregador de piano

apenas sempre entretanto tu mesmo,
o que não está de acordo e é meigo,
o incapaz de propriedade, o pé
errante, a estrada
fugindo, o amigo
que desejaríamos reter
na chuva, no espelho, na memória
e todavia perdemos


VI



Já não penso em ti. Penso no ofício
a que te entregas. Estranho relojoeiro
cheiras a peça desmontada: as molas unem-se,
o tempo anda. És vidraceiro.
Varres a rua. Não importa
que o desejo de partir te roa; e a esquina
faça de ti outro homem; e a lógica
te afaste de seus frios privilégios.

Há o trabalho em ti, mas caprichoso,
mas benigno,
e dele surgem artes não burguesas,
produtos de ar e lágrimas, indumentos
que nos dão asa ou pétalas, e trens
e navios sem aço, onde os amigos
fazendo roda viajam pelo tempo,
livros se animam, quadros se conversam,
e tudo libertado se resolve
numa efusão de amor sem paga, e riso, e sol.

O ofício é o ofício
que assim te põe no meio de nós todos,
vagabundo entre dois horários; mão sabida
no bater, no cortar, no fiar, no rebocar,
o pé insiste em levar-te pelo mundo,
a mão pega a ferramenta: é uma navalha,
e ao compasso de Brahms fazes a barba
neste salão desmemoriado no centro do mundo oprimido
onde ao fim de tanto silêncio e oco te recobramos.

Foi bom que te calasses.
Meditavas na sombra das chaves,
das correntes, das roupas riscadas, das cercas de arame,
juntavas palavras duras, pedras, cimento, bombas, invectivas,
anotavas com lápis secreto a morte de mil, a boca sangrenta
de mil, os braços cruzados de mil.

E nada dizias. E um bolo, um engulho
formando-se. E as palavras subindo.
Ó palavras desmoralizadas, entretanto salvas, ditas de novo.
Poder da voz humana inventando novos vocábulos e dando sopros exaustos.
Dignidade da boca, aberta em ira justa e amor profundo,
crispação do ser humano, árvore irritada,
contra a miséria e a fúria dos ditadores,

ó Carlito, meu e nosso amigo, teus sapatos e teu bigode
caminham numa estrada de pó e de esperança.