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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Mulher é igual a funcionário público

Os funcionários públicos, de forma geral, pertencem a uma categoria muito peculiar do mercado de trabalho. Grosso modo, isso se deve ao que nós, economistas, chamamos de “mecanismos de incentivo”, o ambiente a que esses funcionários estão submetidos para exercerem suas diferentes funções, e que direcionam sua racionalidade econômica.

Uma diferença que os funcionários públicos têm em relação aos demais trabalhadores, saltitante aos olhos, se refere à forma como buscam obter melhores salários. Todo o trabalhador que busca uma melhor remuneração pelo que faz, dentro de uma lógica de mercado, tenta aumentar sua produtividade. Assim, na iniciativa privada, quando qualquer um de nós busca ter um melhor salário, tentamos aumentar inicialmente nossa produtividade, trabalhando mais e/ou melhor: o dentista procura atender mais pacientes e/ou melhor os que já tem, o advogado tenta vencer causas mais difíceis, o operário tenta aumentar sua produção, o professor tenta lecionar mais alunos ou se destacar entre seus colegas etc.

Com os funcionários públicos, perceba, prezado leitor, acontece o contrário: o dentista passa a atender mal seus pacientes ou deixá-los esperando horas na fila do SUS, o policial passa a ser estúpido para com os cidadãos e a corromper-se, e o professor passa a dar uma aula de pior qualidade a seus alunos. Ou seja, quando requerem melhores salários, os funcionários públicos geralmente reduzem sua produtividade, atendendo mal à população a que prestam serviço, reduzindo o ritmo de suas atividades e, em última instância, fazendo greve.

Andei pensando que com as mulheres acontece mais ou menos a mesma coisa. Já há um tempo, contei aqui no Vagabundos a frustração por que passei quando estive apaixonado por uma mulher, numa situação pela qual muitos de vocês, leitores, já devem ter passado. Na ocasião, me aproximei dela devagar, procurei ser atencioso, passar-lhe confiança, criarmos uma intimidade. Na hora do bote, no entanto, ouvi dela que eu era “um homem maravilhoso, muito querido, doce, uma pessoa com quem gostaria de ficar ao lado a vida inteira”, mas que, por isso (?!), deveríamos ser somente amigos.

Perceba, leitor, que, ao querer um aumento de rendimento (manter-me a seu “lado a vida inteira”, porque eu era “um homem maravilhoso, muito querido, doce”), ela reduziu sua produtividade (digamos, amorosa).

Tenho outro caso mais elucidativo:

Também já há um tempo, comecei a me relacionar de forma mais séria com uma (outra) mulher. Saíamos com freqüência, passeávamos, conhecíamos um os amigos do outro, e por aí vai. Lá pelas tantas, conversando sobre relacionamentos passados, ela me contou que numa oportunidade havia dado para um cara que havia conhecido poucas horas antes, na festa em que estava. Claro que, como candidato a uma relação séria com ela, isso me incomodou um pouco, mas até aí, tudo bem – afinal, sou um feminista militante e defensor da total liberdade da mulher!

O incômodo foi aumentando, no entanto, conforme o tempo foi passando sem que ela me desse pela primeira vez, finalmente. Passaram-se semanas, mais semanas, e nada. (Ora, convenhamos que eu não estava tentando comer uma virgenzinha, e isso se enfatizava sempre que eu lembrava da tal “festa” a que ela havia ido.)

Incomodado, pois, fui conversar com ela a respeito. Ouvi que “estávamos criando uma relação bacana, de futuro, que ela estava desenvolvendo um grande carinho por mim, e que, portanto (?!), as coisas deveriam acontecer mais devagar, sem pressa”.

Acredito que aqui minha teoria tenha ficado mais clara: a fim de aumentar seus rendimentos (no caso, ter uma relação mais séria), essa mulher reduziu sua produtividade (no caso, a sexual).

Essa minha descoberta (quase científica, modéstia à parte) nos faz concluir coisas que, antes, eram somente constatações empíricas. A principal delas – a que tu, prezado leitor Vagabundo, e certamente muitas das queridas fêmeas que lêem esse blog já devem ter chegado em algum momento de suas vidas – é que mulher gosta definitivamente de homem cafajeste. O que antes não tinha explicação agora tem. E, logo, as dicas que tenho para dar aos companheiros Vagabundos quando se relacionarem com uma mulher, decorrentes dessa teoria, são jamais tratá-la com carinho, jamais obter sua confiança, jamais mantê-la a seu lado por mais que algumas horas, jamais demonstrar qualquer tipo de afeto. Seguindo essas dicas, prezado leitor, garanto, suas chances de comê-la são maiores. (No último caso que citei, eu, de quem aquela mulher estava gostando de fato, tive que esperar semanas para meter; o outro, que ela havia conhecido na festa, esperou horas. Solução? Ser o “outro”, é lógico!)

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p.s. Como já aconteceu outras vezes, talvez algumas mulheres se indignem com esse post, chamando-o de machista. Queridas fêmeas, esse blog não é machista - pelo contrário, como uma leitora atenta e inteligente (característica cada vez menos valorizada por vocês em vocês mesmas) já deve ter percebido. Da mesma forma que, apesar de tanto se falar mal do governo, todos parecem ainda querer ser funcionários públicos, sabemos (e agora com base em teoria) que, apesar dos bicos e carinhas de emburrada, é de nós, “machistas”, cafajestes e Vagabundos de quem vocês realmente gostam.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tosse

imagem: allinyaraujo.blogspot.com


Era desordem a forma em que se encontravam seus pensamentos quando se deu conta disso no único momento de consciência que teve, ao acordar de súbito, no meio da madrugada. Foi uma surpresa, pois ainda nem sequer havia dormido. A sabedoria do tempo, no entanto, depois lhe esclareceu que aquela confusão de pensamentos era exatamente fruto do típico transe em que entramos quando estamos na fronteira do sono. E que tosse! Aquela tosse terrível fora a responsável por lhe inibir o sono a noite toda. A tosse era um transtorno ao rumo natural das coisas, e assim não poderia ser.

Na verdade, a tosse estava associada à posição de seu tórax quando dormia. Pô-lo na horizontal o fazia tossir, já havia pensado nisso. Se pelo menos pudesse dormir em pé... A tosse era um desafio ao dever de acordar cedo na manhã seguinte, uma audácia que não era bem-vinda. Acabava se mantendo acordado na luta pela obrigação do descanso, e de acordar cedo, o que ajudava a manter o transe. Que tosse maldita!

Aquela tosse era a significação física de tudo que sentia e não era, digamos, fisicamente expressável de outra forma. Ninguém morre de tosse, mas é impossível conviver com ela. E assim era... Era uma tosse dentro do coração.

Pensando bem, morre-se de tosse... Ah, morre-se, sim.

Seu coração tossia, fazendo tremer todo o restante de seu corpo, o impedindo de descansar. Tossia por uma causa antiga. Tratavam-se de resquícios de uma doença passada, porém mal curada. Seu coração tossia porque ainda não estava curado.

Haveria de ser uma tosse crônica... Sua tosse tinha um nome...

Enquanto não aprendia a conviver com o sentimento da tosse, rolava pela cama em busca do sono. Rolar na cama era a morfina para o que sentia, mas em outros braços, e não daquele jeito, rodeado de uma confusão de pensamentos. Ah, os braços da tosse... Que vontade...

De repente, parou de se debater. Sua mente se tranqüilizou. Seu coração jamais o faria, mas decidiu dar uma trégua, pelo menos, em nome de uma paz momentânea. Não era a cura, sabia. Poderia ser a morte, mas era somente o sono.

Estava, enfim, cansado de tossir...