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sábado, 22 de março de 2008

Ode à Feiura

Sim, porque a feiura é um sinal de virilidade! Não há nada mais fresco que um homem bonito. Vagabundo que é vagabundo, entre outras coisas, tem que ser feio - e, até agora, nosso grupo tem cumprido à risca essa determinação.

A feiura é um dom. Nesse mundo capitalista de gente malemolente, a feiura é uma dádiva de poucos. O planeta precisa de pessoas feias, pessoas de fibra, que não se preocupem com as boas formas, com belezas naturais e com todos esses sinais da fraqueza humana.

Bonito mesmo são as cidades, as pedras, as rochas, os carros passando apressados, os bêbados nos botecos sujos, as prostitutas. Essa é a beleza, deveras. A beleza dos detalhes, onde parece não haver nenhuma. É a feiura vista sob outras perspectivas, por gente que sabe identificar as verdadeiras indiossicrasias do mundo.

Atualmente, ninguém mais quer ser feio. Mesmo os feios fazem de tudo para mudar sua forma. Em nome disso, mudam suas cabeças: passam a se tornar superficiais, perdendo o melhor que tinham antes. A valorização da beleza tem acabado com a poesia, com a prosa, com a arte, com as idéias. A beleza tem acabado com ela mesma, pois não temos mais conseguido identificá-la.

As mulheres, todas lindas por definição, têm ficado feias de tanto que procuram e valorizam a beleza. Depois que essa busca por formas começou, nunca se viu tantas mulheres feias pelas ruas. Feias e ocas: nada a acrescentar, nada de belo dentro de sí. São as chamadas mulheres de plástico, de botox, de vento.

Ora, não existe nada mais bonito que o corpo de uma mulher marcado pelo tempo, que as mulheres brancas, de pernas finas, de cabelos e olhos negros. Nada mais bonito que as mulheres no frio. Essa é beleza de verdade, a beleza que acrescenta. É aquela beleza feia, rude.

Sou um adorador da feiura. Quando vejo alguém feio, tenho curiosidade em saber o que passa por sua mente, pois sei que, por lá, passa alguma coisa. Já quando vejo alguém bonito, sinto ânsias, o vácuo, o tédio.

2 comentários:

Geo²rgia disse...

Diego, dessa vez eu vou concordar, embora em partes somente.

Eu sou uma moça bonita e é muito comum me interessar por caras que não seriam exatamente convidados para fotografar para a revista G magazine.
Para ser bem franca, a beleza excessiva é exaustiva. Primeiro pela confiança que o Adônis carrega, ignorando assim a simpatia, inteligência e bom-humor.

Não há nada mais feio que um homem que não faça a mulher rir.
Nada mais flácido do que um homem que acha que Stalin foi o filho do Stalone.
Nada mais gordo que um homem que é incapaz de ter uma conversa com uma mulher sem apelar para a meteorologia para preencher lacunas de silêncio.

Não há nada mais brochante do que um homem kinder ovo: depois de comer o chocolate que tá por fora o brinquedinho de dentro não prende tua atenção nem por 5 minutos.

Kisses trash guy.
rssss

Volmir M. G. disse...

genial